Celebrating the woman I am

Porque ninguém pode fazer isso por você. Celebre-se! Você é única!
Viva a diversidade!
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Because nobody can do it for you! Celebrate yourself! You are unique!
Embrace diversity!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Histórias de Superação: Zica, dona do salão Beleza Natural

Já falei anteriormente no meus blog do Salão Beleza Natural, que é especializado em cabelos cacheados.
Quem tem cabelo cacheado sabe a ciência para cortá-lo: que nem todos os cortes ficam bem e existe uma certa técnica para fazê-lo.
Por isso gostei tanto do Beleza Natural: lá os cachos são a estrela, existe um book de cortes com opções para curtos, médios e longos e o preço é muito bom (R$25,00) !
Mas o carro chefe é o tratamento que permite tirar o volume e definir os cachos.
A maior parte do público e de mulheres negras de todas as idades, mas também homens e crianças são clientes do salão. Apesar disso, o salão não é "para negros", mas para quem tem cabelos crespos e cacheados em geral.
E mesmo para quem tem cabelos lisos, serviços como as hidratações (que são fantásticas), manicure, tintura e etc. Mesmo o book de cortes de cabelo tem a versão com escova para a cliente avaliar suas opções, então, imagino que mesmo que tem cabelo liso pode se beneficiar (algumas cabeleireiras tem cabelo liso). É um salão para todos.
Só conheço o de Ipanema, que é lindo e enorme, somos bem tratadas e os serviços são em conta e de qualidade. O único problema é que o atendimento é com senha, ou seja, pode ser que demore. Os endereços estão aqui.
No capítulo de sábado passado da novela Viver a vida a dona do Beleza Natural, Heloísa Helena, a Zica, falou um pouco da sua história. Aqui está o link.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Palavra GORDA

Imagem:Ballerina Asquadra, de Fernando Botero


Estava lendo o blog Gordinhas Maravilhosas e a cantora Perla apareceu em um evento, gordinha, e disse em seu Twitter que eram críticas maldosas, de recalcados, etc...
Na minha opinião ela está gorda sim, mas porque será que admitir isso publicamente é quase o mesmo que confessar um crime?
Porque a palavra GORDA carrega um peso, perdoem o trocadilho, de associações negativas, muito negativas.


A postagem me fez lembrar um texto de Kate Harding, conhecida como a rainha da blogsfera gorda americana. Vou postar alguns trechos . Para o original clique aqui.
" As mulheres magras não dizem à suas amigas gordas " Você não é gorda" porque elas estão confusas sobre a definição no dicionário, ou seus olhos estão com problemas, ou elas foram criadas em um planeta no qual tamanho 54 é o tamanho normal das mulheres. Elas não dizem isso porque GORDA não significa apenas a palavra Gorda em nossa cultura. Ela também significa um ou todos estes outros sentidos:


Feia
Doente
Fedorenta
Preguiçosa
Ignorante
Indisciplinada
Impossível de amar
Inútil
Uma vergonha

Cafona
Má/mau
Raivosa/o
Socialmente inapta/o
Nojenta


Então quando elas dizem "Você não é gorda" , o que elas querem dizer é " Você não é aquilo que eu associo à palavra Gorda". O formato do seu corpo não é o que está em questão, uma fita métrica ou um espelho pode resolver a controvérsia". O que está é questão é o quão boa você é, ou amável, a sua inteligência,a sua bondade e o seu carisma. E os seus amigos, não é nenhuma surpresa, acreditam que você tenha todas estas qualidades. Então, você não pode ser gorda!


Mas eu sou! Eu sou bonitinha e saudável e eu cheiro bem (normalmente), sou ambiciosa e esperta, amorosa e engraçada, estilosa, amigável, desinibida e definitivamente não sou nojenta! E eu sou gorda, assim como sou baixinha, americana, loura (com alguma assistência química). É apenas uma P*#* de palavra que me descreve, entre centenas de outras. Estas três letrinhas (em inglês FAT, no nosso caso cinco) não cancelam todas as minhas outras qualidades.
(...)


Porque gorda deveria significar ter mais tecido adiposo do que a média das pessoas, mas não é assim. E toda vez que você ignora o que está na sua frente para me dizer que eu não sou gorda porque você não quer me colocar naquela categoria feia e degradante você está comprando a idéia de que as pessoas gordas são todas aquelas coisas horríveis. Eu não sou esta m... Eu sou uma pessoa gorda e real e poucas são as pessoas que se encaixam nestas horríveis categorias que são atribuídas à nós".
(...)


Enquanto estes estereótipos persisitirem - que uma mulher gorda nunca poderá ser saudável, inteligente, dedicada, fashion, atraente e realmente amável - mulheres que são todas essas coisas e gordas irão continuar vendo a si mesmas como fundamentalmente repulsivas e sem valor.


Então, toda vez que alguém tentar me dizer que eu não sou gorda simplesmente porque eu não me encaixo nestes estereótipo, digo que sim eu sou gorda, pombas! A Gorda, ces't moi! Ser gorda é ser assim.
Eu sou uma boa pessoa, inteligente, atraente e sou gorda. Nenhum paradoxo nisso. "

E vocês? Que outras palavras vocês conhecem que são associados à GORDA?

Você utiliza alguma delas para se definir (sem julgamento de valores aqui, é um preconceito difundido em nós todos e para ser superado precisa ser identificado).

Estas palavras fazem sentido para definir que você é? Se você desfizer as associações negativas relacionadas a ser gorda, quem é você?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O problema dos ideias de beleza

Ela é considerada um ideal de beleza na Mauritânia, mas isso nem é uma coisa legal.

Veja por quê.


Texto escrito por Jill do Blog Imagine Today (foi publicado em 8 de janeiro de 2010) sob o título "Beauty Ideals need to go"
Este texto me fez refletir bastante:
" Por um longo tempo eu costumava fantasiar o quão bom o mundo seria se nossos ideias de beleza fossem diferentes, por exemplo, se eu vivesse em um destes países nos quais ser curvelína ou até mesmo gorda fosse valorizado ao invés de ser magro.

Na minha cabeça estes países teriam muito mais liberdade: as mulheres não teruam medo de comer, de usar roupas que mostrassem suas curvas, simplesmente ser quem são... e então eu li este artigo na revista Marie Claire sobre um país chamado Mauritânia, onde o ideal de beleza é " algo como o culto americano pela supermagreza ao contrário. Na tradição Mauritânia são as camadas de gordura que definem a sensualidade"
Enquanto eu lia o artigo eu comecei a entender o quanto era distorcida a minha idéia sobre estes países. Ao invés de ser libertador, o ideal de beleza mais gordo presente na Mauritânia causa dor emocional às mulheres e as leva a comportamentos pouco saudáveis - o tanto quanto os nosso ideais opostos.

Se os pais das adolescentes forem ricos o suficiente, elas são comumente enviadas "colônias" de alimentação forçada para passarem alguns meses , onde elas são forçadas a comer cerca de 40 bolinhas do tamanho de um ovo de uma mistura de tâmaras, amendoin e couscous por dia, além de cerca de 6 litros de leite de cabra com cereais, fazendo com que a ingestão diária seja de 14.000 a 16.000 calorias, embora o recomendado para meninas de 12 anos em geral seja o consumo de 1500 calorias . Um homem adulto fisiculturista, por exemplo, consome cerca de 4.000 por dia.

Se as meninas se recusarem a comer, elas apanham ou torturadas apertando um bastão entre os dedos dos pés enquanto ouvem o quão pouco vale uma pessoa magrela na sociedade.

Ler isso foi um choque, embora, após refletir um pouco, não deveria ter sido.

Na cultura americana somos bombardeados todos os dias com imagens de mulheres magras nas revistas, na TV, nos filmes, etc... raramente vemos mulheres maiores retratadas como pessoas de sucesso ou felizes com suas vidas e seus corpos. Juntando-se a todos as propagandas de programas de dieta que são veinculados constantemente, direcionados às mulheres, especialmente, as mensagem é clara e direta: você não é boa o suficiente a não ser que seja magra. Isto é muito diferente do que desvalorizar as mulheres na Mauritânia por serem magras? Eu creio que não.
Nos Estados Unidos não temos "colônias" de alimentação forçada, mas temos "colônias" para gordinhos (Fat Camps), muitos os quais seguem linhas questionáveis em relação à saúde e, em geral promovem perda de peso que não é mantida porque eles não ensinam aos participantes como viver vidas saudáveis, ao invés disso, ensinam como se livrar de quilos. Além disso, temos programas de dieta que muitas mulheres aderem, programas que em geral as deixam malnutritas e insatisfeitas, enquanto a perda de peso raramente é mantida. Será que isso faz mais sentido do que as "colônias" de alimentação forçada. Eu acho que não.
Na verdade, a mensagem nas duas culturas é a mesma - seu corpo nunca é bom o suficiente - a única coisa que se modifica é o ideal de beleza que as mulheres buscam.

As pessoas afirmam que nosso ideal é mais saudável, mas, honestamente, eu acho isso uma palhaçada.

Quando temos companhias como a Ralph Lauren usando photoshop nas cinturas das modelos para que fiquem menores que suas cabeças ( bonecas Bratz de carne e osso... é sério isso?) e demitindo modelos por serem "muito gordas" para caber nas roupas; quando até mesmo quando os tornozelos da Barbie são criticados por serem muito gordos... temos uma cultura na qual muitas mulheres se sentem compelidas a passar fome e utilizar rotinas de alimentação e exercício pouco saudáveis porque, enquanto sociedade, promovemos o ideial de ser magro acima de ser saudável.

Na Mauritânia promove-se ser gordo acima de ser saudável e em boa forma física, mas, na verdade, não somos melhores que eles.

A questão é: existe um ideal de beleza em todos os lugares e, em todos os lugares, as mulheres são vítimas desta constante luta para atingir o ideal. Mas o que eu realmente queria saber é o porquê disso.
Mulheres gordas na Mauritânia são valorizadas porque, historicamente, uma "esposa gorda" (uma espécie de gado gordo) era o símbolo da riqueza de um homem, prova de que ele tinha meios suficientes para alimenta-la de maneira generosa, enquanto outros pereciam em uma terra propensa à secas.Basicamente, eles valorizam a mulher gorda porque ter uma esposa gorda faz com que o homem pareça mais poderoso.


Do mesmo modo, na America, a magreza pode ser um indicador que há dinheiro suficiente para comprar livros de dieta, planos de dieta, consultores de dieta, ser membro de uma academia, etc...

Mulheres que não perseguem o ideal de magreza em geral ficam preocupadas porque acreditam que não vão encontrar o amor por conta disso. Então, basicamente, nos dois casos, a questão central se resume a duas coisas: dinheiro e homens.

Você sabe o que convenientemente não existe nas duas culturas, na nossa e a da Mauritânia? Um ideal de beleza masculino.

Em geral os homens são cobrados muito menos em termos de aparência. Uma evidência: "barriga de chop" em homens é algo que pode ser sexy. Ao mesmo tempo, também são sexies os que não têm barriga. Basicamente os homens escapam muito mais das pressões sobre sua aparência.

Homens ricos e poderosos em geral tem como parceiras mulheres de beleza convencional (a única coisa que muda é o que se considera bonito) sem que se leve em conta sua própria aparência, porque isso não importa tanto quando um homem é avaliado. Políticos homens e outros homens de influência raramente, se o são, são criticados ou admirados por suas aparências, mas as mulheres influentes (como Hillary Clinton e Sarah Palin) o são.

Isso é errado. Algo deve ser feito.

Eu não estou dizendo que devemos começar a julgar os homens por sua aparência primeiro e suas realizações depois. O que eu estou dizendo é que precisamos nos livrar da idéia de dois pesos e duas medidas e parar de julgar as mulheres, especialmente as que são poderosas e influentes por sua aparência às custas de seus ideais.
Estabelecer um modelo de beleza é errado, não importa que modelo seja este, pois é injusto e explorador, e tudo que isso faz é fazer com que as mulheres gastem seu dinheiro e sua atenção de maneira excessiva e evita que elas conquistem tudo que podem conquistar, enquanto os homens, são em gerais mais livres para brilharem por conta de suas mentes e seus méritos.
Todos os corpos são bonitos e capazes de coisas incríveis- É hora de começar a viver está premissa como parte de nossa cultura".
O texto da revista Marie Claire a que a autora se refere está aqui e traz detalhes ainda piores sobre as "colônias" de alimentação forçada da Mauritânia.

Nota da tradução: Os "camps" em inglês indicam lugares nos quais em geral jovens, passam as férias, dedicando-se à atividades específicas, em geral durante as férias de Verão. O nosso equivalente seriam as "colônias de férias". Por isso traduzi "camps" como colônias. Desta forma os Force Feding Camps e o Fat Camps em português seriam "Colônias de alimentação forçada" e " Colônia para Gordos".
Algumas palavras como Force Feding Camps foram traduzidos aqui como "colônias".

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